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13/04/2014

Cresce a participação de mulheres em empreendimentos agropecuários

Publicada em 25/09/2013 às 14:52
Cresce a participação de mulheres em empreendimentos agropecuários
Lançada no último mês, a Nota de Política sobre as Mulheres Rurais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aponta crescimento do percentual de mulheres responsáveis por atividades agropecuárias na América Latina e Caribe. No Brasil, os dados mostram que 13% dos agricultores são mulheres.
O processo de feminização do campo encorpa um fenômeno que já foi observado no meio urbano: as mulheres estão, cada vez mais, conquistando autonomia econômica, reconfigurando o cenário do mundo do trabalho. Por consequência, a partir do incremento da renda familiar, percebe-se melhorias nas condições de bem-estar social dos agrupamentos familiares.
Apesar dos dados indicarem avanços no que tange à distribuição do trabalho entre homens e mulheres, o estudo destaca desigualdades na garantia de direitos e acesso a recursos. Em geral, de acordo com a FAO, as trabalhadoras rurais têm mais dificuldade em obter assistência técnica, capacitação e acesso a crédito. Nesse sentido, a ONU recomenda aos programas de extensão rural oferta de tratamento diferenciado em termos de gênero, especialmente nas políticas dirigidas à agricultura familiar.
Recorte brasileiro
Não há dúvidas do quanto a agropecuária significa em termos econômicos para o desenvolvimento do Brasil. Fazendo um recorte apenas para os negócios ligados à agricultura familiar, os números impressionam. Dados do IBGE mostram que empreendimentos nesse segmento representam cerca de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) agrícola, 85% dos estabelecimentos agropecuários e quase 77% dos postos de trabalho na agricultura.
Apesar da representatividade do setor para a economia brasileira, poucos estudos se debruçam sobre a presença das mulheres no trabalho rural e a importância de sua atuação para a garantia da produção. O que se sabe é que muitas trabalhadoras ainda atuam sem qualquer remuneração ou valorização profissional e conjugam o ofício com as atividades do lar.
Em contraste a essa realidade, alguns grupos produtivos formados apenas por mulheres apontam uma mudança no cenário. Governos, organismos internacionais e investidores sociais, atentos ao movimento, têm direcionado esforços para a inclusão socioprodutiva feminina e empoderamento das trabalhadoras, no campo e na cidade.
No Programa ReDes, são vários os casos de associações e cooperativas, lideradas por mulheres, que estão executando projetos em prol do desenvolvimento local. Na região de Niquelândia, no estado de Goiás, a Associação das Mulheres do Rio Vermelho (AMURV) é um exemplo.
O grupo, constituído por 36 associadas, nasceu em 1999, inspirado pela experiência de outra iniciativa, a Associação de Produtores Rurais Junto ao INCRA – Arvin, formada apenas por homens.
“Observando o trabalho do meu marido e dos outros associados, percebi que havia oportunidades ainda não exploradas. Como eles trabalhavam principalmente com milho e arroz, surgiu a ideia de criarmos uma outra associação para atuar com poupas de frutas e doces”, explica Diana Maria Rodrigues Gebrim. Ali surgia então a AMURV.
Hoje, no papel de tesoureira da organização, Diana observa a transformação das empreendedoras. “Muitas mulheres não tinham renda e dependiam completamente de seus maridos. Com a associação, elas viram uma oportunidade de remuneração. Muitas estão aprendendo uma profissão. Vejo também mudanças no campo pessoal. Estão mais valorizadas. Agora, elas garantem o complemento da renda da casa.”
Diana salienta uma característica do grupo que tem feito a diferença no trabalho. “As mulheres acabam incluindo mais. Somos um grupo aberto a sugestões. A participação da família é muito grande. Todos ajudam nas decisões.”
Para a associada, o apoio no início foi fundamental. “Com o suporte do Programa ReDes estamos crescendo. Foi com ele que percebemos que só com poupa de frutas e doces o negócio não ia crescer. Agora atuamos também com verduras. Conseguimos entender melhor o mercado.  Nosso sonho é ver a nova sede construída. Trabalhamos em um galpão improvisado, mas isso já vai mudar. Os recursos estão chegando e vamos ficar ainda mais fortes.”
Apesar de estarem apenas no início de um longo percurso, Diana já celebra alguns resultados. “Conquistamos muito mais do que um trabalho. Conquistamos o respeito e a admiração de nossos maridos e de nossas famílias. Isso é uma grande vitória.”
Fonte: http://www.programaredes.org.br/cresce-a-participacao-de-mulheres-em-empreendimentos-agropecuarios/